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Notas ao acaso

Com frequência não determinada. Vão saindo ao sabor da disposição e da inspiração.

Notas ao acaso

Com frequência não determinada. Vão saindo ao sabor da disposição e da inspiração.

Preocupante

14.07.20, Júlia

É com que preocupação que vou observando alguns comportamentos de jovens que chegaram longe em termos de escolaridade formal. Ouve-se frequentemente dizer que são a geração mais preparada porque concluiram licenciaturas, mestrados ou doutoramentos. Mas será que do ponto de vista cultural e formação humanística são superiores a anteriores gerações? Como é que as escolas os prepararam, além da formação técnica?

Num programa de TV, uma jovem, com vinte e poucos anos, com formação superior, disse, a propósito de não sei o quê, que os deputados só sabem levar o nosso dinheiro, repetindo uma ideia muito difundida e bandeira da extrema direita. 

Fiquei perplexa e a perguntar-me:

- Esta jovem, dada a sua formação, não devia pensar pela sua cabeça?

- Se isto representa uma convicção, desejaria ela viver em ditadura, em vez de em democracia?

- Saberá ela o que é viver em ditadura?

- Admite que se regrida para um regime em que os doentes só eram tratados se tivessem dinheiro? Ou que tivessem a sorte de ter na terra um qualquer João Semana que tratasse os pobres gratuitamente?

- Saberá ela que os velhos, quando deixavam de poder trabalhar, não tinham direito a reforma, vivendo na dependência dos filhos ou da caridade alheia? Ou que os desempregados não tinham direito a qualquer subsídio? Porque a segurança social não existia.

- E, no que respeita à escolaridade, só quem tinha dinheiro podia aspirar a frequentar mais do que a quarta classe?

Ora, é para ela e muitos outros poderem exibir os seus diplomas que servem os impostos que, parece, ela acha que não deviam existir.

O mais preocupante é ela dizer que quer dedicar-se à política... temo pelo  projecto que irá defender.